Receita do E-commerce

Receita do E-commerce no Brasil: Desigualdade no Consumo Faz 22% Gerarem 46% da Receita

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A receita do e-commerce no Brasil revela um cenário marcado por desigualdade no consumo digital. Um levantamento divulgado pela Serasa Experian aponta que apenas 22% da população adulta brasileira, formada por consumidores com maior estabilidade financeira, é responsável por 46% do valor movimentado no comércio eletrônico do país.

Os dados fazem parte do Anuário Mosaic Insights, estudo que busca entender como diferentes perfis de consumidores influenciam o comportamento de compra no Brasil. O relatório mostra que a receita do e-commerce está concentrada em um grupo relativamente pequeno da população, enquanto grande parte dos brasileiros enfrenta desafios financeiros que impactam diretamente suas decisões de consumo.

Essa análise propõe uma nova forma de compreender o mercado brasileiro, indo além de fatores tradicionais como renda e idade. O estudo também considera estabilidade financeira e momento de vida, criando clusters comportamentais que ajudam a explicar como a receita do e-commerce está sendo distribuída entre diferentes grupos sociais.

O perfil dos consumidores que sustentam a receita do e-commerce

Segundo o estudo, o grupo responsável por grande parte da receita do e-commerce é formado por consumidores que possuem maior organização financeira e capacidade de planejamento. Esses brasileiros conseguem manter uma previsibilidade maior em suas despesas, o que facilita o consumo no ambiente digital.

Enquanto esse grupo representa apenas 22% da população adulta, ele domina quase metade da receita do e-commerce nacional. Isso demonstra como a estabilidade financeira influencia diretamente o volume de compras online.

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Ao mesmo tempo, a pesquisa mostra que 52% dos brasileiros vivem em perfis considerados “em transição”. São pessoas que trabalham, consomem e buscam melhorar sua situação financeira, mas ainda apresentam forte sensibilidade a fatores como:

  • preço
  • taxas e juros
  • prazos de pagamento
  • previsibilidade de renda

Esses consumidores até participam da receita do e-commerce, mas tendem a tomar decisões de compra com mais cautela.

Já outros 25,5% da população estão em grupos de maior restrição financeira, com limitações significativas no consumo, o que reduz ainda mais sua participação na receita do e-commerce.

Mudanças recentes no comportamento do consumidor brasileiro

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De acordo com Giovana Giroto, CMO e vice-presidente de Marketing Solutions da Serasa Experian, o estudo revela que o Brasil não funciona como um mercado homogêneo.

Segundo ela, o país opera em diferentes níveis de previsibilidade financeira, o que altera completamente a forma como os consumidores decidem comprar. Essa dinâmica também impacta diretamente a receita do e-commerce, já que perfis com maior estabilidade financeira tendem a consumir mais.

Nos últimos dois anos, houve crescimento significativo de alguns grupos com maior organização financeira, como:

  • Base produtiva tradicional do país: crescimento de 77%
  • Famílias estáveis e bancarizadas: aumento de 68%
  • Alta renda e executivos consolidados: crescimento de 33%

Esses segmentos contribuem de maneira relevante para a expansão da receita do e-commerce, pois possuem maior capacidade de consumo e planejamento.

Por outro lado, alguns perfis ligados ao dinamismo econômico perderam participação no consumo digital, como:

  • Jovens profissionais digitais: queda de 33%
  • Empreendedores urbanos em crescimento: redução de 34%

Essas mudanças indicam que a receita do e-commerce está sendo cada vez mais influenciada por consumidores que priorizam estabilidade e previsibilidade financeira.

Fatores estruturais que explicam a desigualdade no consumo

Para Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, o cenário atual reflete mudanças estruturais importantes na economia brasileira.

Entre os principais fatores apontados estão:

  • interiorização do desenvolvimento econômico
  • envelhecimento da população
  • aumento do custo de vida

Essas transformações fazem com que muitos consumidores priorizem segurança financeira antes de aumentar o consumo, o que impacta diretamente a receita do e-commerce. O estudo também revela que a capacidade de pensar no longo prazo ainda é limitada no país. Apenas cerca de 15% da população apresenta alta propensão para investir em produtos financeiros.

Entre os consumidores com maior estabilidade, essa afinidade pode chegar a 90%, enquanto nos grupos de menor renda cai para aproximadamente 4%. Essa diferença mostra que a participação na receita do e-commerce também está relacionada ao nível de organização financeira e planejamento de cada consumidor.

O impacto do envelhecimento da população no consumo

Outro fator importante identificado no estudo é o envelhecimento da população brasileira. De acordo com dados do Censo 2022, a população com 65 anos ou mais cresceu 57%, o que também influencia o comportamento de consumo.

Consumidores com 60 anos ou mais apresentam gastos acima da média nacional em categorias como:

  • supermercado
  • farmácia
  • itens para casa
  • eletrônicos
  • lazer

Esse grupo também contribui significativamente para a receita do e-commerce, especialmente quando possui maior estabilidade financeira.

Dentro dessa faixa etária, há uma grande diversidade de perfis. Um exemplo citado no estudo é o grupo chamado Elite Econômica, em que consumidores com mais de 60 anos chegam a consumir mais do que 72% da população geral, ficando entre os 28% brasileiros que mais consomem no país.

Segundo Giovana Giroto, a maturidade não elimina o consumo, mas muda os critérios de decisão. Com o avanço da idade, fatores como confiança, clareza e utilidade passam a pesar mais do que compras por impulso, algo que influencia diretamente a dinâmica da receita do e-commerce.

Alta renda representa pequena parcela da população

Outro dado relevante do estudo mostra que a parcela da população com renda muito alta ainda é pequena no Brasil.

A pesquisa indica que:

  • 3,5% dos brasileiros possuem renda acima de 10 salários mínimos
  • menos de 1% ultrapassa 20 salários mínimos

Mesmo sendo uma minoria, esse grupo tem grande influência na receita do e-commerce. Curiosamente, cerca de 1 em cada 4 pessoas desse grupo tem até 39 anos, refletindo trajetórias profissionais aceleradas e casos de empreendedorismo bem-sucedido.

No ambiente digital, porém, nem todos esses consumidores mantêm presença ativa. Aproximadamente 34% apresentam presença baixa ou quase inexistente em compras online, preferindo outras experiências de compra.

Isso significa que parte do consumo que poderia aumentar a receita do e-commerce ainda acontece fora dos canais digitais.

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O que o estudo revela sobre o futuro do consumo no Brasil

Os dados do Anuário Mosaic Insights indicam que o futuro do mercado não depende apenas de estimular mais consumo, mas de compreender melhor o contexto financeiro de cada consumidor.

Em um país onde a estabilidade financeira ainda é restrita a uma parcela da população, estratégias de marketing baseadas apenas em renda ou idade podem perder eficiência.

Para empresas que atuam no comércio digital, entender o estágio de vida, o nível de previsibilidade financeira e o comportamento de consumo de cada grupo pode ser decisivo para ampliar a receita do e-commerce.

Como destaca Giovana Giroto, compreender o momento de vida e o grau de estabilidade financeira do consumidor ajuda a definir fatores como tolerância ao risco, critérios de escolha e jornada de compra.

Dessa forma, o estudo mostra que a evolução da receita do e-commerce no Brasil dependerá cada vez mais de estratégias personalizadas, capazes de dialogar com diferentes perfis de consumidores e suas realidades financeiras.

O que você acha?

A receita do e-commerce no Brasil mostra que apenas 22% da população concentra 46% do consumo online. Você acha que essa desigualdade no consumo digital tende a aumentar ou diminuir nos próximos anos?

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