Custos elevados nos marketplaces

Custos elevados nos marketplaces impulsionam lojistas a criar canais próprios e aumentar a margem

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Os custos elevados nos marketplaces estão mudando a forma como pequenos e médios lojistas operam no e-commerce brasileiro. Cada vez mais, empreendedores estão deixando de priorizar volume de vendas e passando a focar em margem de lucro e controle sobre o cliente.

Essa mudança estratégica reflete um cenário em que vender mais nem sempre significa ganhar mais — principalmente dentro de grandes plataformas digitais.

Crescimento do e-commerce, mas queda na rentabilidade

Mesmo com o avanço do comércio eletrônico no Brasil, os desafios aumentaram. Segundo projeções da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), o setor deve movimentar cerca de R$ 259 bilhões em 2026, com aproximadamente 460 milhões de pedidos online.

O ticket médio deve variar entre R$ 500 e R$ 600, mostrando que o consumo digital segue forte.

No entanto, os custos elevados nos marketplaces têm impedido que esse crescimento se traduza em lucro para muitos lojistas.

As comissões cobradas pelas plataformas podem chegar a 20%, mas o impacto real vai além. Quando somados outros fatores como:

  • Logística
  • Subsídio de frete
  • Antecipação de recebíveis
  • Investimento em anúncios

o custo total pode atingir entre 30% e 40% do valor do produto, podendo até ultrapassar esse nível em alguns casos.

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Margens pressionadas e concorrência intensa

Com os custos elevados nos marketplaces, a margem dos vendedores fica cada vez mais apertada. Situações como devoluções, promoções e descontos obrigatórios agravam ainda mais esse cenário.

De acordo com Mariana Torres, diretora da Torres Consultoria:

“Durante muito tempo, o marketplace foi a principal porta de entrada para o digital. Hoje, muitos lojistas percebem que vendem mais, mas lucram menos.”

Além disso, o mercado está mais competitivo. Plataformas digitais concentram cerca de 87% do e-commerce global, aumentando o poder dessas empresas sobre os vendedores.

Segundo o especialista em varejo Rafael Cortez:

“É um ambiente altamente competitivo e orientado por preço. Produtos semelhantes aparecem lado a lado, o que pressiona a margem e favorece quem consegue operar com escala”

Isso acontece porque produtos similares aparecem lado a lado, forçando os lojistas a competir principalmente pelo menor preço — o que reduz ainda mais as margens.

Outro fator importante é o crescimento da base de vendedores:

  • A Shopee reúne mais de 3 milhões de lojistas brasileiros
  • O Mercado Livre possui milhões de vendedores na América Latina

Esse aumento intensifica a concorrência dentro das plataformas e reforça o impacto dos custos elevados nos marketplaces.

Dependência das plataformas e mudança de estratégia

imresizer-online-shopping-or-ecommmerce-delivery-service-concept-paper-shopping-bag-on-a-laptop-computer-easy-shopping-online-concept-free-photo-1024x576 Custos elevados nos marketplaces impulsionam lojistas a criar canais próprios e aumentar a margem

Um dos maiores desafios dos marketplaces é a dependência. Os lojistas não têm controle total sobre:

  • Dados dos clientes
  • Comunicação direta
  • Estratégias de relacionamento

Como destaca Rafael Cortez:

“O cliente lembra da plataforma, não da marca.”

Além disso, muitos vendedores precisam investir em anúncios dentro do próprio marketplace para ganhar visibilidade. Isso cria um cenário onde o lojista paga para vender e também paga para aparecer.

Segundo Mariana Torres:

“O lojista paga comissão para vender e, cada vez mais, precisa pagar também para ser visto.”

Esse modelo aumenta o custo de aquisição de clientes (CAC), tornando-o contínuo e crescente.

A busca por canais próprios ganha força

Diante dos custos elevados nos marketplaces, muitos empreendedores estão migrando para canais próprios como:

  • Sites próprios
  • Redes sociais
  • Vendas diretas (D2C)

Plataformas como a Nuvemshop já reúnem mais de 180 mil lojistas ativos, movimentando bilhões de reais.

Outro dado relevante vem do estudo Rota do E-commerce, realizado pela Loggi em parceria com a Opinion Box:

  • 64% dos empreendedores vendem pelas redes sociais
  • 60% apontam o alcance como principal vantagem
  • 39% utilizam site próprio
  • 27% ainda usam marketplaces

Isso mostra que os lojistas estão adotando uma estratégia mais diversificada.

Estratégia multicanal: o novo caminho

A tendência atual é clara: combinar diferentes canais de venda para equilibrar volume e margem.

A estratégia multicanal permite:

  • Reduzir dependência dos marketplaces
  • Aumentar controle sobre o cliente
  • Melhorar a margem de lucro
  • Construir marca própria

Mesmo com os custos elevados nos marketplaces, essas plataformas continuam sendo importantes para gerar tráfego e novos clientes.

Porém, especialistas alertam que depender exclusivamente delas pode tornar o negócio menos sustentável no longo prazo.

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O novo caminho dos lojistas digitais

Os custos elevados nos marketplaces estão transformando o comportamento dos lojistas brasileiros. O foco deixou de ser apenas vender mais e passou a ser vender melhor.

Criar canais próprios, investir em relacionamento com o cliente e diversificar as vendas são estratégias cada vez mais adotadas.

O futuro do e-commerce não está apenas nos grandes marketplaces, mas na capacidade dos lojistas de construir sua própria presença digital com mais autonomia e rentabilidade.

O que você acha dos custos elevados nos marketplaces?

Os custos elevados nos marketplaces estão impactando diretamente a forma como lojistas vendem online — e a sua experiência também faz parte dessa realidade.

Você já sentiu que vende muito, mas lucra pouco?
Ou já pensou em criar seu próprio canal de vendas para fugir das taxas?

Informações de dcomercio

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