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Casas Bahia atrasa pagamentos a lojistas, adia entregas e recorre aos Correios para tentar resolver gargalos logísticos

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A Casas Bahia enfrenta um cenário complexo em seu marketplace, com atrasos de repasses financeiros a lojistas parceiros, postergação de pagamentos a transportadoras e limitações logísticas que pressionam sua operação. Segundo reportagem exclusiva do jornal Valor Econômico, esses problemas surgem enquanto a companhia realiza um processo de reestruturação após a recuperação extrajudicial iniciada em 2024.

Entre janeiro e setembro de 2025, a Casas Bahia investiu cerca de R$ 18 milhões em logística, valor que representa o dobro do registrado em 2024, mas ainda menos de 10% do total investido no período, de R$ 245 milhões. Apesar do aporte, gargalos logísticos persistiram, principalmente com o aumento da demanda online no final do ano, forçando a empresa a recorrer à estrutura dos Correios para cumprir entregas dentro dos prazos.

Gargalos logísticos e uso dos Correios

A reportagem do Valor Econômico revelou que a Casas Bahia enfrentou atrasos de aproximadamente 60 dias no envio de produtos vendidos no último trimestre de 2025 dentro do sistema de fulfillment, modelo em que a própria empresa gerencia coleta, armazenamento e entrega das mercadorias.

Uma fonte próxima à companhia explicou:

“Há mais de 400 consoles PlayStation 5 parados na logística, mesmo já vendidos. Estão sendo enviados pelos Correios para evitar novos adiamentos.”

Os problemas logísticos também afetaram produtos de alto valor e evidenciam limitações estruturais e financeiras da varejista. A mesma fonte afirmou:

“Falta infraestrutura e falta dinheiro para estruturar a fundo porque o foco é a dívida.”

Mesmo com aumento do caixa operacional em quase 50%, alcançando R$ 10,8 bilhões até setembro de 2025, aproximadamente R$ 9 bilhões foram destinados ao pagamento de dívidas e juros, valor cerca de 40% superior ao registrado em 2024.

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Atrasos nos repasses aos lojistas e pagamentos via Pix

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Além das dificuldades logísticas, a Casas Bahia também apresentou atrasos nos repasses a lojistas que vendem pelo marketplace. Fontes ouvidas pelo Valor Econômico indicaram adiamentos superiores a 30 dias em pagamentos via Pix, mesmo após o dinheiro entrar na conta da varejista.

Um executivo de meios de pagamento explicou:

“Quando o dinheiro do Pix entra na conta de varejo das empresas, há risco de misturar com a conta geral, algo que não acontece com cartões de crédito, que têm regras regulatórias separadas.”

Segundo relatos internos, os atrasos nos repasses ocorreram por vários meses, e ajustes manuais no sistema foram necessários para corrigir inconsistências temporárias. A empresa confirmou ao Valor Econômico que o problema foi pontual e já normalizado, destacando que os pagamentos por cartão continuam ocorrendo regularmente.

Impacto financeiro e limitações estruturais

O aumento dos juros, em torno de 15% ao ano, pressionou as despesas financeiras da Casas Bahia e influenciou decisões de investimento em 2025. Alguns aportes em logística e distribuição foram impactados pela prioridade de gestão da dívida, mesmo com a expansão das operações digitais.

O processo de recuperação extrajudicial iniciado em 2024 levou a medidas como renegociação de dívidas, alongamento de prazos com bancos, conversão de débitos em ações e redução de despesas operacionais. Aproximadamente R$ 4 bilhões foram renegociados e convertidos em debêntures para reforçar o caixa e reorganizar a estrutura de capital da companhia.

Segundo o analista Luiz Guanais, do BTG Pactual,

“A receita manteve tendência de melhora, combinada com ganhos de eficiência, mas a alta alavancagem financeira continua limitando resultados e fluxo de caixa.”

Marketplace, estoques e operação digital

O crescimento das vendas digitais no fim de 2025 aumentou a pressão sobre a logística da Casas Bahia. Problemas como falta de estoque de determinados produtos surgiram devido à restrição de crédito de fornecedores, ainda reflexo da recuperação extrajudicial.

O fechamento temporário de centros de distribuição (conhecido no setor como “fechar a porta do CD”) foi adotado para equilibrar estoques frente à desaceleração das vendas físicas no início de 2026. Apesar disso, a operação online continuou a registrar crescimento, mesmo com cerca de 70,3 mil reclamações registradas no Reclame Aqui nos últimos 12 meses, sendo a avaliação geral classificada como regular, caindo para ruim nos últimos seis meses.

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Foco na reestruturação e eficiência

A Casas Bahia segue executando seu plano estratégico com disciplina financeira e foco na eficiência operacional, mantendo centros de distribuição funcionando e realizando ajustes na logística digital. Segundo a empresa, a operação foi fortalecida em dezembro de 2025 com alongamento do pagamento de passivos e melhoria da flexibilidade financeira.

O desafio atual da varejista envolve equilibrar o crescimento do marketplace e vendas digitais com limitações financeiras herdadas da recuperação extrajudicial e gargalos estruturais, buscando evitar atrasos tanto para lojistas quanto para consumidores.

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Os desafios recentes da Casas Bahia, como atrasos a lojistas e problemas logísticos, têm gerado debate no setor de varejo e e-commerce.

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