Os problemas de devoluções se tornaram um dos maiores desafios para os marketplaces no Brasil em 2026. O aumento da logística reversa vem afetando diretamente vendedores, operadores logísticos e plataformas de e-commerce, principalmente nos segmentos de moda, calçados e eletrônicos.
Dados do Ebit|Nielsen mostram que a taxa de devolução no e-commerce brasileiro varia entre 20% e 40%, dependendo da categoria de produto. Em média, aproximadamente 25% das compras online acabam retornando para os vendedores. Isso significa que, a cada 10 produtos vendidos, de 2 a 4 voltam para o estoque.
O crescimento dos problemas de devoluções também está ligado ao comportamento do consumidor moderno, que exige processos rápidos, gratuitos e sem burocracia para trocas e reembolsos.
Custos da logística reversa preocupam vendedores
Os impactos financeiros dos problemas de devoluções vão muito além do simples reembolso ao consumidor. Segundo levantamentos do setor, uma devolução pode custar até 30% mais do que o valor original da venda.
Entre os principais custos estão:
- Frete reverso;
- Reembalagem;
- Atendimento ao cliente;
- Inspeção do produto;
- Produtos danificados;
- Perda parcial do valor do item.
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No Brasil, o frete reverso pode variar entre R$ 15 e R$ 80 via Correios, dependendo da região e do tamanho da encomenda. Em produtos volumosos, como móveis e eletrodomésticos, os custos podem ser ainda maiores.
Além disso, muitos produtos devolvidos não conseguem ser revendidos como novos. Em eletrônicos, por exemplo, itens abertos perdem valor rapidamente. Já no setor de moda, roupas experimentadas podem voltar amassadas ou sem etiquetas.
Os problemas de devoluções acabam corroendo a margem de lucro dos vendedores, principalmente nos produtos mais vendidos da chamada “curva A”.
Moda e calçados lideram devoluções no e-commerce

Entre todos os segmentos do comércio eletrônico, moda e calçados continuam liderando os índices de devolução no Brasil em 2026.
As taxas variam entre:
- Moda: 30% a 40%;
- Calçados: 25% a 35%;
- Eletrônicos: 15% a 20%;
- Móveis e decoração: 10% a 15%;
- Beleza e cosméticos: 5% a 10%;
- Livros e mídia: abaixo de 5%;
- Alimentos e bebidas: abaixo de 3%.
O principal motivo para os problemas de devoluções na moda é a inconsistência de tamanhos entre marcas brasileiras. Uma peça tamanho M pode equivaler a um G em outra fabricante, gerando frustração no consumidor.
Segundo pesquisas da NRF e Ebit|Nielsen, cerca de 40% a 50% das devoluções em vestuário acontecem por tamanho ou medida errada.
Outros motivos frequentes incluem:
- Produto diferente das fotos ou descrição;
- Produto com defeito;
- Arrependimento da compra;
- Atraso na entrega;
- Expectativa diferente do produto recebido.
Cerca de 20% a 25% das devoluções acontecem porque o item recebido não corresponde ao anunciado no site.
Fraudes aumentam preocupação dos marketplaces
Outro ponto que agrava os problemas de devoluções é o crescimento das fraudes na logística reversa, golpes como troca de etiquetas, devolução de produtos diferentes e envio de itens danificados têm causado prejuízos para milhares de sellers brasileiros.
Dados do setor mostram que apenas 9% dos consumidores admitem comprar já pensando em devolver. Mesmo assim, 89% consideram normal realizar devoluções frequentes no e-commerce.
Para reduzir perdas, muitos lojistas começaram a:
- Filmar o processo de embalagem;
- Utilizar Inteligência Artificial nas descrições;
- Melhorar fotos dos produtos;
- Investir em tabelas de medidas mais detalhadas;
- Automatizar o atendimento pós-compra.
O uso de IA vem ajudando a diminuir dúvidas dos consumidores e reduzir os problemas de devoluções causados por informações incompletas.
Datas promocionais ampliam os problemas de devoluções
Eventos promocionais como Black Friday, Natal e Dia das Mães aumentam significativamente os índices de logística reversa.
Segundo dados internacionais da NRF, as devoluções após a Black Friday podem crescer até 50% acima da média anual. No Brasil, janeiro e fevereiro concentram o maior volume de trocas e reembolsos do ano.
Grande parte disso acontece por compras impulsivas, presentes indesejados e arrependimento do consumidor após promoções.
Com isso, os marketplaces precisam reforçar equipes, melhorar processos logísticos e investir em tecnologia para evitar prejuízos ainda maiores.
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Consumidor exige devolução rápida e sem burocracia
Em 2026, o consumidor brasileiro está cada vez mais exigente em relação ao pós-venda. Plataformas que dificultam trocas ou demoram nos reembolsos acabam sofrendo desgaste na reputação.
Por isso, empresas do setor vêm buscando soluções para tornar a logística reversa mais eficiente e menos custosa.
Especialistas apontam que melhorar descrições, investir em imagens reais dos produtos e padronizar medidas podem reduzir significativamente os problemas de devoluções nos próximos anos.
Mesmo assim, a logística reversa continua sendo um dos maiores desafios operacionais e financeiros do e-commerce brasileiro.
Qual sua opinião?
Se você vende em marketplaces ou tem loja online, já teve prejuízo com trocas, logística reversa ou devoluções inesperadas? Os problemas de devoluções estão afetando cada vez mais os sellers no Brasil em 2026.
Informações de troqueedevolva

