O marketplace da Temu voltou ao centro das atenções globais após ser alvo de uma forte sanção aplicada pela União Europeia. A empresa recebeu uma multa de aproximadamente US$ 232 milhões (200 milhões de euros) devido a falhas no combate à venda de produtos ilegais e falsificados em sua plataforma.
A decisão marca uma das primeiras grandes ações regulatórias baseadas na nova Lei de Serviços Digitais (DSA), que endurece as regras para grandes plataformas digitais que operam no mercado europeu.
União Europeia aplica sanção ao marketplace da Temu
O caso foi analisado por reguladores de tecnologia da União Europeia, que concluíram que a empresa não adotou medidas suficientes para impedir a circulação de mercadorias ilegais dentro do seu ecossistema digital.
Segundo o anúncio oficial divulgado em 28 de maio, a multa de 200 milhões de euros foi aplicada após a primeira fase de uma investigação aprofundada sobre as práticas da plataforma.
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O marketplace da Temu foi acusado de não realizar uma avaliação adequada dos riscos associados ao seu modelo de negócios, especialmente em relação à venda de produtos falsificados e potencialmente perigosos para consumidores.
Base legal da multa: Lei de Serviços Digitais (DSA)
A penalidade foi fundamentada na Lei de Serviços Digitais (Digital Services Act – DSA), uma das legislações mais rigorosas já criadas pela União Europeia para o ambiente digital.
A DSA obriga plataformas de e-commerce a monitorar conteúdos e produtos comercializados, além de adotar sistemas eficazes para remover itens ilegais rapidamente.
De acordo com os reguladores, a empresa falhou em cumprir essas exigências de forma satisfatória, o que permitiu a permanência de produtos irregulares em sua estrutura de vendas.
Denúncias e pressão de organizações de consumidores

A investigação contra o marketplace da Temu ganhou força após denúncias feitas pela organização pan-europeia de consumidores BEUC, junto a 17 entidades de defesa do consumidor de diferentes países da União Europeia.
Essas entidades alertaram para os riscos de segurança envolvendo produtos vendidos dentro do marketplace da Temu, destacando a possibilidade de itens falsificados e potencialmente perigosos chegarem aos consumidores.
A pressão pública fez com que a Comissão Europeia intensificasse a fiscalização sobre o marketplace da Temu, ampliando a investigação sobre suas práticas internas.
Acusações da Comissão Europeia
A Comissão Europeia acusou a empresa de não realizar uma análise adequada dos riscos sistêmicos associados ao seu modelo de negócios. Segundo o órgão, a plataforma teria ignorado impactos diretos aos consumidores e falhado em controlar adequadamente sua rede de vendas.
Outro ponto crítico envolve o uso de sistemas de recomendação baseados em inteligência artificial dentro do marketplace da Temu, que, segundo os reguladores, podem influenciar o comportamento dos usuários e aumentar a exposição a produtos irregulares.
Além disso, a estrutura de programas de afiliados e influenciadores digitais também foi apontada como um fator que ajudou a ampliar a visibilidade de produtos potencialmente ilegais dentro do marketplace da Temu.
Sistema de engajamento e influência digital
O relatório oficial indica que a plataforma utiliza estratégias de engajamento que incluem comissões para influenciadores digitais. Esses mecanismos teriam funcionado como amplificadores da divulgação de produtos dentro do ecossistema da empresa, o que, segundo a União Europeia, contribuiu para o aumento da exposição de mercadorias irregulares.
Esse modelo de crescimento agressivo está agora sob análise mais profunda por autoridades regulatórias europeias. As investigações buscam entender até que ponto essas estratégias influenciam o comportamento dos usuários e favorecem a circulação de produtos sem conformidade.
As autoridades também avaliam se esse tipo de estrutura pode representar riscos sistêmicos dentro do ambiente digital, especialmente no que diz respeito à segurança dos consumidores e à responsabilidade das grandes plataformas.
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Posição da União Europeia e novas investigações
Henna Virkkunen, responsável pela área de tecnologia da União Europeia, afirmou que a decisão contra o marketplace da Temu serve como um alerta para grandes plataformas digitais. Segundo ela, o bloco europeu continuará investigando se o design do aplicativo foi projetado de forma a aumentar o engajamento de maneira potencialmente viciante.
A União Europeia reforçou que a empresa ainda pode sofrer novas penalidades caso não adote mudanças estruturais em suas políticas internas.
Prazo para mudanças e próximos passos
A Comissão Europeia estabeleceu um prazo até 28 de agosto para que a plataforma apresente um plano detalhado de correções. Esse plano deve incluir medidas concretas para melhorar a moderação de produtos, reduzir riscos aos consumidores e fortalecer os mecanismos de segurança da plataforma.
Após o envio, os reguladores terão até dois meses para avaliar se a empresa cumpriu as exigências da Lei de Serviços Digitais. Caso as mudanças sejam consideradas insuficientes, novas sanções poderão ser aplicadas, aumentando ainda mais o valor total das penalidades.
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