As ações da Americanas voltaram a despencar na Bolsa de Valores do Brasil (B3) após o surgimento de uma nova delação relacionada ao escândalo contábil que abalou a empresa desde 2023. No pregão de terça-feira (7/10), os papéis da varejista encerraram o dia com forte queda de 7,15%, sendo cotados a R$ 5,58, em um movimento que reacendeu a desconfiança do mercado sobre o futuro da companhia.
Enquanto o Ibovespa fechou o dia com baixa de 1,57%, a performance negativa da Americanas chamou atenção pela intensidade da queda, especialmente em um momento em que a empresa tenta reconstruir sua imagem e retomar a confiança de investidores após o maior escândalo corporativo da história recente do país.
O que motivou a nova queda da Americanas
O tombo das ações da Americanas foi impulsionado pela notícia de que um novo ex-diretor firmou acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF). As informações prestadas pelo delator devem ser incorporadas ao processo que já investiga as supostas irregularidades contábeis ocorridas dentro da companhia.
Segundo o MPF, a nova colaboração acrescenta detalhes sobre a relação patrimonial, pressões internas por resultados e os primeiros indícios das fraudes que levaram ao colapso financeiro da empresa. As revelações reforçam o caso que envolve 13 ex-executivos e ex-funcionários denunciados por crimes como associação criminosa, falsidade ideológica e manipulação de mercado.
Relembre o início do escândalo financeiro da Americanas
O escândalo envolvendo a Americanas começou em janeiro de 2023, quando a empresa comunicou ao mercado a existência de “inconsistências contábeis” em seus balanços financeiros. Na época, o rombo estimado era de cerca de R$ 20 bilhões, número que, segundo as investigações atuais, pode ter ultrapassado R$ 25 bilhões.
A revelação causou uma das maiores crises corporativas do Brasil, resultando em perdas bilionárias para investidores, demissões de executivos e o pedido de recuperação judicial da companhia. Desde então, a marca tenta reestruturar sua operação, renegociar dívidas e recuperar a confiança do mercado.
Impactos no mercado financeiro
A nova delação chegou em um momento delicado para a Americanas, que ainda busca consolidar sinais de recuperação. Mesmo com alguns avanços nos resultados trimestrais, o caso judicial continua a gerar incertezas e volatilidade nas ações.
A queda de 7,15% observada no pregão de terça-feira mostra que os investidores seguem cautelosos, reagindo a qualquer nova informação que possa indicar riscos adicionais. O escândalo, que já completa mais de dois anos, ainda é visto como um alerta sobre a governança corporativa e a transparência contábil nas grandes empresas brasileiras.
Resultados financeiros recentes da Americanas
De acordo com o último balanço financeiro divulgado em agosto, a Americanas registrou prejuízo líquido de R$ 98 milhões entre abril e junho de 2025. Apesar do número negativo, o resultado representa uma melhora expressiva em comparação ao mesmo período de 2024, quando a empresa havia apresentado prejuízo de R$ 1,85 bilhão.
A redução de 94,7% nas perdas demonstra um avanço importante no processo de reestruturação. Além disso, o Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) atingiu R$ 329 milhões, um salto de mais de 1.200% em relação ao ano anterior.
A receita líquida também cresceu, chegando a R$ 3,84 bilhões no segundo trimestre de 2025 — alta de 24,7% na comparação anual. Esses resultados mostram que a Americanas começa a reagir operacionalmente, mesmo com o ambiente jurídico e financeiro ainda turbulento.
Desafios e perspectivas para a recuperação da Americanas
Mesmo com sinais de melhora nos indicadores, o futuro da Americanas ainda é incerto. O processo de recuperação judicial exige uma série de medidas para equilibrar dívidas e garantir a continuidade das operações. A confiança do mercado, porém, segue abalada, e o surgimento de novas delações dificulta a retomada da credibilidade.
Especialistas apontam que o principal desafio da Americanas é reconstruir a governança e assegurar transparência total nas informações financeiras. Além disso, a empresa precisa atrair investidores e recuperar o engajamento de consumidores, que ainda associam a marca ao escândalo de 2023.
Caso consiga sustentar os avanços recentes e manter a melhora dos resultados, a Americanas poderá começar uma nova fase mais estável. Contudo, a continuidade das investigações e as possíveis novas denúncias mantêm o caso sob os holofotes do mercado e da imprensa.
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Considerações Finais
A nova delação que derrubou as ações da Americanas mostra que o escândalo financeiro da varejista ainda está longe de ser encerrado. Mesmo após dois anos do início da crise, as investigações continuam revelando novas camadas do problema, enquanto a empresa tenta mostrar que está disposta a mudar e recuperar a confiança perdida.
O caso da Americanas se tornou um marco na história corporativa brasileira e serve como lição sobre os riscos da falta de transparência e de controles internos eficazes. Agora, o futuro da companhia dependerá não apenas dos números, mas da capacidade de reconstruir sua imagem e restabelecer a confiança de quem investe, trabalha e compra com a marca.
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O escândalo da Americanas ainda movimenta o mercado e divide opiniões sobre o futuro da empresa.
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