Acessos a E-commerces no Brasil registraram uma queda significativa de 18% nos últimos 12 meses, mas o Mercado Livre segue como líder absoluto no setor. Segundo levantamento do BTG com base em dados da Similar Web, o cenário do comércio eletrônico nacional mudou, refletindo desafios econômicos, mudanças de comportamento do consumidor e a crescente competição internacional.
Mercado Livre mantém a dianteira
O argentino Mercado Livre fechou junho de 2025 com impressionantes 242,7 milhões de visitas mensais, garantindo o primeiro lugar no ranking. Apesar da liderança, a plataforma registrou retração de 9,5% em comparação com o mesmo mês de 2024, quando contabilizou 268,1 milhões de acessos.
Logo atrás, aparece a americana Amazon, que somou 163,6 milhões de visitas, queda de 10,8% em relação ao ano anterior. Em contrapartida, a Shopee, de origem singapurense, apresentou crescimento expressivo de 24,9%, saltando de 111,8 milhões para 139,6 milhões de visitas no período.
Essas três gigantes internacionais concentraram juntas 79,2% de todos os acessos a e-commerces no Brasil, de um total de 699,7 milhões registrados em junho de 2025.
Primeiras posições dominadas por empresas estrangeiras

O levantamento revelou que nenhum dos três e-commerces mais acessados do país é brasileiro. A primeira empresa nacional a aparecer no ranking é o Magazine Luiza, que ocupa a quarta posição com 45,9 milhões de visitas. O número, no entanto, representa queda de 48,1% frente aos 88,6 milhões obtidos no mesmo período do ano anterior.
Quando somados todos os sites do grupo Magalu — incluindo Netshoes (25,2 milhões), Kabum (11,6 milhões), Época Cosméticos (4,5 milhões), Zattini (2,2 milhões), Estante Virtual (4,1 milhões) e Aiqfome (700 mil) — o conglomerado totalizou 94,2 milhões de acessos, resultado 33,3% inferior ao registrado no ano passado.
Outras varejistas nacionais perdem espaço
O grupo Via Varejo (VIIA), que administra Casas Bahia, Ponto Frio e Extra, também viu retração no tráfego. A Casas Bahia, maior representante do conglomerado, caiu 36,1%, de 36,1 milhões para 28,7 milhões de acessos. O Ponto Frio teve queda de 50%, enquanto o Extra recuou 40,9%.
A Americanas S.A., que inclui Americanas.com, Submarino, Shoptime e Supermercado Now, enfrentou um dos maiores tombos. O site principal, Americanas.com, despencou para 8,2 milhões de visitas, queda superior a 150%. Já Submarino e Shoptime praticamente desapareceram do mapa de relevância online, com quedas superiores a 93%.
Marcas internacionais também sentem o impacto
Nem mesmo gigantes estrangeiras escaparam da redução. A chinesa AliExpress apresentou queda drástica de 81,4%, passando de 43,6 milhões para apenas 8,1 milhões de visitas. Já a plataforma Elo7, especializada em produtos artesanais, caiu 18,6%, para 10,5 milhões de acessos.
Panorama geral do mercado
O estudo avaliou 19 dos sites mais acessados entre maio de 2024 e junho de 2025 e concluiu que, no total, os acessos caíram de 855 milhões para 699,7 milhões, uma retração de 18% em um ano. Ao longo dos 12 meses, os e-commerces somaram 9,8 bilhões de visitas.
O cenário aponta para um mercado mais concentrado em poucas empresas, com domínio de players internacionais e dificuldade crescente para varejistas nacionais manterem relevância. Entre as possíveis causas estão a desaceleração do consumo, mudanças no comportamento do cliente online e a necessidade de adaptação às novas tecnologias e formatos de venda.
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O que esperar para o futuro

Especialistas apontam que a recuperação do tráfego depende de investimentos em logística, personalização de ofertas e estratégias de fidelização. Para os e-commerces nacionais, a adaptação rápida a novas tendências — como social commerce, integração com marketplaces e uso de inteligência artificial — será determinante para recuperar espaço frente às plataformas estrangeiras.
Enquanto isso, os acessos a e-commerces no Brasil continuam concentrados nas grandes marcas globais, com destaque para o Mercado Livre, que mantém a liderança mesmo em um cenário de retração geral.
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Os números mostram que os acessos a e-commerces no Brasil estão caindo, mas o Mercado Livre segue líder. Queremos saber a sua opinião! Você acha que as lojas brasileiras vão conseguir recuperar espaço frente aos gigantes internacionais? Deixe seu comentário e participe da discussão!

