O debate sobre o fim da taxa das blusinhas ganhou um novo capítulo após a Confederação Nacional da Indústria entrar com uma ação direta de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal contra a medida provisória que zerou o imposto de importação para compras internacionais de até US$ 50.
A entidade protocolou a ação na última sexta-feira (22) e argumenta que a decisão cria uma concorrência desigual entre empresas brasileiras e plataformas internacionais de e-commerce. Segundo a CNI, o fim da taxa das blusinhas favorece produtos importados ao reduzir custos tributários para empresas estrangeiras, enquanto a indústria nacional continua enfrentando uma carga tributária mais elevada.
De acordo com a confederação, a medida ameaça empregos, reduz arrecadação e enfraquece o mercado interno brasileiro. O diretor jurídico da CNI, Alexandre Vitorino, afirmou que a decisão não apresentava urgência suficiente para ser implementada por medida provisória, mecanismo considerado excepcional pela Constituição.
CNI afirma que medida prejudica empregos e indústria brasileira
Na ação apresentada ao STF, a Confederação Nacional da Indústria afirma que o fim da taxa das blusinhas pode ampliar ainda mais as diferenças competitivas entre empresas nacionais e gigantes internacionais do comércio eletrônico.
Segundo dados citados pela entidade, as importações de pequeno valor saltaram de US$ 800 milhões em 2013 para US$ 13,1 bilhões em 2022. Já o número de remessas internacionais passou de 70,5 milhões em 2018 para 176,3 milhões em 2022, mostrando o crescimento acelerado das compras online vindas do exterior.
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A CNI também afirma que a tributação implementada anteriormente ajudou a reduzir os impactos sobre o setor produtivo nacional. A estimativa da entidade aponta que cerca de 135 mil empregos foram preservados e que houve proteção de aproximadamente R$ 19,7 bilhões na economia brasileira.
Outro ponto levantado pela confederação é que o modelo atual beneficia plataformas estrangeiras que conseguem vender produtos com preços mais baixos devido à diferença de tributação. Para a entidade, isso enfraquece a livre concorrência e prejudica empresas instaladas no Brasil.
Expansão do e-commerce internacional aumentou debate sobre tributação

A discussão envolvendo o fim da taxa das blusinhas ganhou força principalmente após a explosão das plataformas internacionais de e-commerce nos últimos anos. Antes, a isenção de impostos para pequenas remessas era voltada principalmente para envios entre pessoas físicas e sem objetivo comercial.
Porém, com o crescimento do comércio eletrônico global, empresas estrangeiras passaram a utilizar esse modelo em larga escala para vender diretamente ao consumidor brasileiro. Isso ampliou o debate sobre equilíbrio tributário entre varejistas nacionais e marketplaces internacionais.
Em 2023, plataformas estrangeiras passaram a recolher ICMS estadual. Já em 2024, entrou em vigor a cobrança de 20% do imposto federal de importação sobre compras internacionais de até US$ 50. Agora, o fim da taxa das blusinhas volta a gerar discussões políticas, econômicas e jurídicas.
A CNI considera que retirar novamente essa cobrança representa um retrocesso para a indústria e o comércio nacional. Para a entidade, a medida favorece importações em detrimento da produção brasileira, além de transferir empregos, renda e arrecadação para o exterior.
Enquanto isso, consumidores acompanham o caso com atenção, já que a decisão pode impactar diretamente o preço final de produtos vendidos por plataformas internacionais bastante populares no Brasil.
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O que pode acontecer agora?
Com a ação protocolada no STF, o tema deverá passar por análise da Corte nos próximos meses. O julgamento poderá definir se o governo tinha legitimidade para extinguir a cobrança por meio de medida provisória e quais serão os efeitos da decisão sobre o comércio eletrônico.
O debate sobre o fim da taxa das blusinhas continua dividindo opiniões entre consumidores, varejistas, importadores e representantes da indústria nacional. De um lado, há quem defenda preços mais baixos para compras internacionais. Do outro, setores produtivos argumentam que a concorrência precisa ocorrer em condições equilibradas.
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Informações de portaldaindustria

