As compras internacionais continuam em alta no Brasil em 2026, mesmo após a criação de taxas e impostos sobre produtos importados. Entre janeiro e abril deste ano, a chamada “taxa das blusinhas” arrecadou R$ 1,78 bilhão, representando um crescimento de 25% em comparação ao mesmo período de 2025.
Os números mostram que, mesmo pagando mais caro, o consumidor brasileiro não deixou de comprar em plataformas estrangeiras. Pelo contrário: o volume de pedidos aumentou significativamente, reforçando a força das gigantes asiáticas dentro do mercado brasileiro.
A discussão voltou ao centro do debate após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinar, em 12 de maio de 2026, uma medida provisória que retirou o imposto federal de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. Com isso, permaneceu apenas a cobrança estadual de 20% de ICMS sobre as encomendas.
Poucas horas após o anúncio, plataformas como Shein, Shopee, Amazon, AliExpress e Magazine Luiza já haviam atualizado seus sistemas de checkout para refletir as mudanças tributárias.
Varejo brasileiro reage à decisão do governo
A retirada do imposto federal gerou forte reação de entidades ligadas ao varejo nacional. A ABVTEX criticou a decisão e afirmou que milhões de empregos poderiam ser afetados pela concorrência internacional.
Já a CNI alertou que micro e pequenas empresas brasileiras podem sofrer impactos ainda maiores diante do avanço das plataformas estrangeiras.
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Apesar disso, especialistas apontam que o problema do varejo nacional vai além das compras internacionais e da tributação. O crescimento acelerado das empresas asiáticas está diretamente ligado à tecnologia, logística eficiente e estratégias agressivas de mercado.
A plataforma Temu é um exemplo disso. A empresa chegou oficialmente ao Brasil em maio de 2024 e, em apenas um ano, viu seu tráfego saltar de 1,2 milhão para 142,9 milhões de visitas mensais. Em julho de 2025, a plataforma atingiu 409,7 milhões de visitas, superando concorrentes tradicionais do setor.
Enquanto isso, o Mercado Livre perdeu participação no mercado, mostrando que a disputa atual não envolve apenas preço, mas principalmente inovação tecnológica e experiência do consumidor.
Tecnologia e estratégia explicam o avanço das plataformas internacionais

O sucesso das compras internacionais está ligado ao modelo operacional extremamente avançado dessas empresas. A Shein, por exemplo, utiliza inteligência artificial para identificar tendências de moda em redes sociais, prever demanda e produzir pequenas quantidades iniciais antes de ampliar a fabricação.
O sistema reduz desperdícios e acelera o processo de lançamento de novos produtos. Em alguns casos, o tempo entre a criação da peça e a entrega ao consumidor pode variar entre sete e dez dias — muito abaixo do varejo tradicional.
A Temu também aposta pesado em crescimento acelerado. A empresa investe bilhões em marketing, frete subsidiado, cupons de desconto e experiências gamificadas dentro do aplicativo. O objetivo é conquistar rapidamente participação de mercado em países emergentes, incluindo o Brasil.
Especialistas afirmam que as compras internacionais cresceram porque oferecem preços competitivos, grande variedade de produtos e experiências digitais mais modernas que muitas empresas locais ainda não conseguem entregar.
Alta carga tributária continua sendo desafio no Brasil
Outro ponto importante no debate é a elevada carga tributária brasileira. Atualmente, o Brasil possui uma tributação entre 33% e 34% do PIB, número superior à média de diversos países da América Latina.
No varejo, a situação é ainda mais complexa. Produtos fabricados e vendidos no país podem carregar cerca de 92% de carga tributária acumulada ao longo da cadeia produtiva.
Além disso, empresas brasileiras gastam aproximadamente duas mil horas por ano apenas para calcular e recolher impostos, segundo dados do setor. Esse cenário reduz investimentos em inovação, logística e experiência do cliente.
Por isso, muitos analistas defendem que combater apenas as compras internacionais não resolverá os problemas estruturais do varejo nacional. Para eles, o foco deveria estar na modernização do setor, redução da burocracia e aumento da competitividade das empresas brasileiras.
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O consumidor mudou e o mercado precisa acompanhar
O crescimento das compras internacionais mostra uma mudança clara no comportamento do consumidor brasileiro. Hoje, muitos clientes priorizam preço, rapidez, variedade e experiência digital na hora de comprar.
As plataformas estrangeiras entenderam rapidamente essa transformação e passaram a investir fortemente em tecnologia, inteligência artificial e estratégias de fidelização.
Enquanto isso, parte do varejo nacional ainda tenta competir principalmente através de medidas tributárias, sem enfrentar questões estruturais mais profundas.
Com ou sem taxa, o cenário indica que as compras internacionais continuarão fazendo parte da rotina dos brasileiros nos próximos anos.
Qual sua opinião?
As compras internacionais continuam crescendo no Brasil, mesmo com impostos mais altos e toda a polêmica envolvendo a “taxa das blusinhas”. Enquanto muitos consumidores comemoram preços mais acessíveis em plataformas como Shein, Shopee e Temu, parte do varejo nacional afirma que a concorrência ficou ainda mais difícil.
Você acredita que as compras internacionais ajudam o consumidor brasileiro a economizar ou acha que elas prejudicam o comércio nacional e os empregos no Brasil?
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