O fim da Taxa das Blusinhas voltou a gerar debates sobre os impactos no comércio eletrônico internacional e também sobre os possíveis reflexos para os Correios. Com a possibilidade de produtos importados ficarem mais baratos para os consumidores brasileiros, especialistas acreditam em um aumento no fluxo de encomendas vindas do exterior, especialmente de plataformas populares como Shein, Shopee e AliExpress.
Apesar disso, fontes próximas à estatal afirmam que o impacto financeiro deve ser moderado. O aumento no número de pacotes internacionais pode ajudar a melhorar parte da receita operacional dos Correios, mas ainda está longe de representar uma solução definitiva para a situação financeira da empresa.
Correios ainda enfrentam desafios financeiros
Mesmo com o debate envolvendo o fim da Taxa das Blusinhas, os Correios seguem enfrentando um cenário delicado. A estatal registrou prejuízo superior a R$ 8 bilhões no último ano e atualmente mantém um plano de reestruturação para tentar reorganizar suas contas.
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Nos últimos anos, uma das principais fontes de receita da empresa vinha das encomendas internacionais. Porém, os números mostram uma queda significativa nesse segmento. Em 2024, os Correios arrecadaram cerca de R$ 3,9 bilhões com remessas vindas do exterior. Já em 2025, esse valor caiu para aproximadamente R$ 1,3 bilhão, representando apenas 8% do faturamento total da companhia.
Especialistas apontam que essa redução não aconteceu apenas por causa da chamada “taxa das blusinhas”. Segundo fontes ligadas ao setor logístico, o principal fator foi a implementação do programa Remessa Conforme, criado em 2023.
Remessa conforme mudou o mercado internacional
O programa Remessa Conforme alterou de forma importante o funcionamento das compras internacionais no Brasil. Mesmo com o fim da Taxa das Blusinhas, o programa continua ativo e sem mudanças estruturais.
A iniciativa estabeleceu a cobrança de 17% de ICMS sobre encomendas internacionais, além de permitir que empresas privadas participassem diretamente do processo logístico e do desembaraço aduaneiro das importações.
Antes disso, os Correios tinham praticamente exclusividade nesse serviço. Com a abertura do mercado para transportadoras privadas, parte da receita operacional da estatal acabou sendo dividida entre diferentes empresas do setor.
Esse movimento reduziu fortemente o faturamento dos Correios com encomendas internacionais. Por isso, analistas avaliam que apenas o fim da Taxa das Blusinhas não será suficiente para provocar uma grande recuperação financeira da empresa.
Aumento nas encomendas pode ajudar a estatal

Mesmo sem expectativa de uma grande virada financeira, o aumento do volume de encomendas internacionais pode trazer algum alívio para os Correios nos próximos meses.
Com produtos mais baratos para o consumidor final, plataformas internacionais tendem a registrar crescimento nas vendas para o Brasil. Esse cenário pode gerar uma movimentação maior nos centros logísticos e aumentar a circulação de pacotes no país.
O possível crescimento operacional pode beneficiar os Correios de forma indireta, principalmente em regiões onde a estatal ainda possui forte presença na distribuição de encomendas internacionais.
Além disso, o setor de e-commerce acompanha de perto qualquer mudança relacionada ao fim da Taxa das Blusinhas, já que medidas envolvendo importação costumam afetar diretamente consumidores, vendedores e empresas de logística.
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Mercado continua acompanhando os próximos passos
Embora exista expectativa de aumento nas encomendas internacionais, especialistas afirmam que os impactos reais só poderão ser medidos nos próximos meses.
O mercado entende que o programa Remessa Conforme continua sendo o principal fator de transformação da logística internacional no Brasil. Enquanto não houver alterações estruturais nesse sistema, os Correios devem continuar enfrentando dificuldades para recuperar o espaço perdido no setor.
Ainda assim, o debate sobre o fim da Taxa das Blusinhas segue movimentando consumidores e plataformas internacionais, principalmente pela possibilidade de redução nos preços finais das compras feitas em sites estrangeiros.
Correios podem ganhar fôlego com alta nas compras internacionais
O fim da Taxa das Blusinhas pode aumentar o volume de encomendas internacionais e gerar uma movimentação maior para os Correios. Porém, especialistas acreditam que o impacto deve ser limitado diante dos desafios financeiros enfrentados pela estatal.
Mesmo assim, o crescimento das compras em plataformas internacionais pode ajudar parcialmente a receita operacional da empresa e manter o setor logístico aquecido nos próximos meses.
E você, acha que o fim da Taxa das Blusinhas realmente vai aumentar o volume de encomendas no Brasil? Os Correios podem se beneficiar dessa mudança ou o impacto será menor do que o esperado?
Informações de cnnbrasil

