Os golpes se tornam ainda mais comuns após o fim da Black Friday, justamente quando consumidores aguardam suas entregas e lojistas enfrentam grande volume de pedidos, trocas e devoluções. Esse cenário cria uma combinação perfeita para que golpistas aproveitem a pressa, a distração e a sobrecarga dos sistemas para aplicar novos tipos de fraude.
Mesmo quando a compra é feita em um site confiável, com cartão protegido e autenticação reforçada, o período do pós-Black Friday permanece sendo um terreno perigoso. O motivo é simples: os criminosos exploram informações que circulam durante o processo de rastreamento, como número do pedido, transportadora e previsão de entrega, para aplicar golpes que imitam mensagens oficiais. Com a popularização da inteligência artificial, essas fraudes ficaram ainda mais sofisticadas e difíceis de distinguir das comunicações legítimas.
A seguir, entenda por que o pós-Black Friday é o momento preferido dos golpistas, quais são os principais tipos de golpes e como consumidores e empresas podem se proteger.
Por que os golpes aumentam após a Black Friday
O período que se inicia logo depois da temporada de descontos envolve uma maratona de entregas, trocas e devoluções. Os consumidores ficam ansiosos para acompanhar o status de seus pedidos; já os varejistas precisam lidar com alto volume de atendimento, logística pressionada e sistemas automatizados operando no limite.
É justamente nesse ambiente que os golpes prosperam. O excesso de mensagens, notificações, solicitações de confirmação e links compartilhados cria confusão, abrindo brechas para criminosos imitarem comunicações oficiais por SMS, WhatsApp, e-mail ou páginas falsas.
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Além disso, muitas interações passam a ocorrer fora da plataforma onde a compra foi feita — e como nem sempre o consumidor tem esse controle, fica mais difícil identificar o que é verdadeiro e o que é uma tentativa de fraude.
Para o e-commerce, especialmente para pequenas e médias empresas, a situação é ainda mais delicada. Trocas e devoluções representam uma parte significativa das operações, e os golpes que exploram essas etapas podem gerar prejuízos financeiros e logísticos graves.
Como funcionam os golpes no pós-Black Friday

Os golpes exploram tanto falhas nos processos de entrega quanto nas etapas de reembolso e devolução. Eles geralmente combinam acesso a dados, engenharia social e páginas falsas muito bem elaboradas.
Entre os principais tipos de golpes, estão:
1. Phishing e engenharia social
Criminosos enviam mensagens que parecem oficiais, pedindo confirmação de dados, atualização de cadastro ou pagamento de taxas falsas. Os links levam a páginas fraudulentas que roubam informações pessoais ou instalam malware.
2. Estorno abusivo
O fraudador compra um produto, recebe normalmente e depois alega não ter reconhecido a transação ou que o item não chegou. É um dos golpes mais prejudiciais para o varejo, pois quase sempre gera reembolso automático.
3. Fraude de devolução com dados legítimos
O golpista usa seus próprios dados ou dados vazados, recebe o produto e afirma não ter recebido. Em alguns casos, abre reclamações simultâneas em diferentes canais para confundir o processo e acelerar o reembolso.
4. Devolução com caixa vazia
O indivíduo devolve a embalagem com um objeto de peso similar, fingindo defeito ou arrependimento. O varejo perde o item, arca com logística reversa e ainda processa a devolução.
5. “Aluguel” disfarçado
Muito comum em itens de moda ou produtos de uso pontual. O fraudador compra, usa e devolve alegando insatisfação — um tipo de golpe difícil de prever, mas bastante comum após grandes promoções.
Como consumidores podem se proteger dos golpes
A melhor defesa contra golpes no pós-Black Friday é a desconfiança inteligente. Com IA ampliando a capacidade dos criminosos de produzir mensagens bem-feitas, qualquer link inesperado pode ser perigoso.
Aqui estão práticas essenciais:
- Desconfie de links enviados por e-mail, SMS ou WhatsApp.
Prefira acessar o site manualmente. - Nunca forneça códigos de confirmação ou dados bancários.
Empresas sérias não pedem isso fora da plataforma. - Verifique URLs.
Pequenas variações de letra, acentos ou números são comuns em golpes. - Use autenticação em dois fatores.
- Evite clicar em mensagens de “atualização de entrega”.
Consulte diretamente no site oficial da compra. - Fotografe produtos antes de devolver.
Isso ajuda a evitar problemas em caso de disputas ou tentativas de culpa indevida. - Reduza temporariamente o limite do PIX durante grandes eventos.
Quanto mais cautela, menor a chance de cair em golpes que se aproveitam justamente da pressa do consumidor.
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Como lojistas podem se proteger dos golpes
Para quem vende online, os riscos do pós-Black Friday envolvem tanto os golpes de consumidores mal-intencionados quanto ataques externos que usam automação e técnicas avançadas.
Alguns sinais de alerta incluem:
- Reclamações repentinas sobre entregas não recebidas
- URLs suspeitas circulando como se fossem páginas da loja
- Mensagens estranhas chegando aos clientes
- Picos de acesso em páginas inexistentes, indicando possíveis bots
Para reduzir os riscos:
- Reforce a comunicação dos canais oficiais.
- Monitore domínios falsos e páginas clonadas.
- Implemente fluxos rápidos de resposta a incidentes.
- Insira avisos visíveis nas etapas de pós-compra.
- Exija autenticação multifator para solicitações de reembolso.
- Aplique análises de risco em devoluções de alto valor.
- Bloqueie contas com padrões suspeitos.
- Use rate limiting em APIs de devolução para evitar automação criminosa.
A prevenção é mais barata do que lidar com prejuízos causados por golpes pós-Black Friday.
Conte sua experiência!
Você já recebeu alguma mensagem suspeita após uma compra online? Já passou por algum dos golpes citados no post? Compartilhe sua experiência nos comentários — sua opinião pode ajudar outros consumidores e lojistas a ficarem mais atentos!

